Ombro e cotovelo

Lesão do manguito rotador sempre precisa de cirurgia?

Por Equipe Ortopedia Prime Revisado em 4 min de leitura
Médico de jaleco, visto de costas, apoiando o ombro de uma paciente enquanto ela ergue o braço para o lado
Resposta rápida

Não. Muitas lesões do manguito rotador, principalmente as parciais e as causadas por desgaste, melhoram com fisioterapia, ajuste das atividades e remédios para a dor. A cirurgia costuma ser considerada quando a dor e a fraqueza continuam depois de alguns meses de tratamento, quando a ruptura é grande ou quando aconteceu de repente, depois de uma queda ou esforço.

Receber o resultado de um exame com as palavras "ruptura" ou "lesão do manguito rotador" assusta. A primeira ideia costuma ser que o tendão rasgou e que só a cirurgia resolve. Na prática, a decisão depende de vários fatores, e muita gente melhora da dor e volta a usar bem o ombro sem operar.

O que é o manguito rotador?

É um conjunto de quatro músculos e seus tendões que envolvem a cabeça do úmero, o osso do braço, e a mantêm encaixada no ombro. Esses tendões participam dos movimentos de levantar e girar o braço.

Entre o manguito e o osso que forma o teto do ombro existe uma bolsa de líquido, a bursa, que facilita o deslizamento. Os problemas do manguito incluem a inflamação dos tendões (tendinite), a inflamação da bursa (bursite) e as rupturas, que podem ser parciais, quando só parte do tendão é atingida, ou completas.

Por que o manguito rotador rompe?

A maior parte das rupturas acontece por desgaste do tendão ao longo dos anos. Com a idade, a circulação nos tendões diminui e a capacidade de reparo cai. Por isso a lesão é mais comum depois dos 40 anos. Esportes e trabalhos que exigem elevar o braço repetidamente, como natação, tênis, pintura e construção, aumentam o risco.

A outra forma é a lesão aguda, que acontece de uma vez. Pode ocorrer em uma queda sobre o braço esticado ou ao levantar algo pesado com um tranco.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais comuns são dor e fraqueza no ombro. Em geral, a pessoa percebe:

  • dor em repouso e à noite, principalmente ao deitar sobre o ombro afetado;
  • dor ao levantar o braço, pentear o cabelo ou levar a mão às costas;
  • fraqueza para erguer ou girar o braço;
  • estalos ou sensação de areia ao movimentar o ombro.

Na ruptura por desgaste, a dor costuma começar leve e aumentar com o tempo. Na ruptura aguda, a dor é forte e a fraqueza aparece na hora. Algumas rupturas não causam sintoma nenhum e são encontradas por acaso em exames.

Lesão do manguito rotador sempre precisa de cirurgia?

Não. Em grande parte dos casos, o tratamento começa sem cirurgia, e a maioria das pessoas tem alívio da dor e melhora da função. A academia americana de cirurgiões ortopédicos (AAOS) estima que isso aconteça em cerca de oito a cada dez pacientes.

O tratamento sem cirurgia costuma reunir:

  • repouso relativo, evitando por um tempo os movimentos acima da cabeça e o que provoca dor;
  • analgésicos ou anti-inflamatórios por período curto, com orientação médica;
  • fisioterapia, com exercícios para recuperar o movimento e fortalecer os músculos em volta do ombro;
  • infiltração com corticoide em casos selecionados, quando a dor não cede com as outras medidas.

Há um ponto a saber: o tendão que rompeu por completo não cola de volta sozinho. O que os exercícios fazem é fortalecer os músculos que continuam inteiros, para que compensem a lesão e o ombro funcione sem dor. Para muitas pessoas isso basta. O acompanhamento serve para observar se a lesão aumenta e se a força se mantém.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia é considerada em algumas situações:

  • dor e limitação que continuam depois de seis a doze meses de tratamento bem feito;
  • ruptura grande, com tendão de boa qualidade para ser reparado;
  • fraqueza importante e perda de função do ombro;
  • ruptura recente, causada por queda ou esforço;
  • pessoas que dependem muito do braço acima da cabeça, no trabalho ou no esporte.

No procedimento, o cirurgião prende o tendão de volta no osso. Depois, o braço fica um período na tipoia e a reabilitação é longa, com meses de fisioterapia até a volta completa da força.

Deixar de operar também tem custos, que o médico coloca na conversa: a ruptura pode aumentar com o tempo, e a dor ou a limitação para certas atividades podem continuar. Idade, tamanho da lesão, qualidade do músculo, rotina e expectativas entram na decisão, que é tomada junto com o paciente.

Quando procurar um ortopedista?

Procure um ortopedista se a dor no ombro dura mais de algumas semanas, atrapalha o sono ou vem com dificuldade para levantar o braço. Na consulta, o médico examina o movimento e a força do ombro e pode pedir radiografia, ultrassom ou ressonância magnética para confirmar a lesão e ver seu tamanho.

Um especialista em ombro e cotovelo explica o que o exame mostra e quais são as opções no seu caso.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta.

Perguntas frequentes

01Ruptura parcial pode virar ruptura completa?

Pode. Parte das lesões aumenta com o passar do tempo, e outras ficam estáveis por anos. Por isso quem trata sem cirurgia costuma ser reavaliado de tempos em tempos, pelo exame físico e, quando preciso, por exame de imagem.

02Tenho ruptura no exame e não sinto dor. Preciso operar?

Em geral, não. Rupturas sem sintomas são comuns com o avançar da idade e muitas vezes só precisam de acompanhamento. A indicação de cirurgia leva em conta a dor, a força e a função do ombro, e não só a imagem.

03A infiltração cura a lesão do manguito?

Não. A infiltração com corticoide reduz a inflamação e a dor por um tempo, o que pode ajudar a fazer os exercícios. Ela não repara o tendão e por isso é usada com critério.

04Posso fazer musculação com lesão do manguito rotador?

Depende da lesão e da fase do tratamento. Exercícios de fortalecimento fazem parte da reabilitação, mas cargas e movimentos precisam ser ajustados. Converse com o médico e o fisioterapeuta antes de voltar aos treinos.

Revisão médica

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