Mão e microcirurgia

Doença de Dupuytren: por que o dedo vai dobrando?

Por Equipe Ortopedia Prime Revisado em 4 min de leitura
Mãos de um médico de jaleco examinando o punho e a palma de uma paciente sobre uma mesa escura
Resposta rápida

Na doença de Dupuytren, a camada de tecido que fica logo abaixo da pele da palma engrossa e encurta com o tempo. Formam-se caroços e cordões que puxam o dedo em direção à palma, quase sempre o anelar e o mínimo. Costuma evoluir devagar, em meses ou anos, e em geral não dói.

Você percebe um carocinho na palma da mão e, com o tempo, um dedo que já não estica como antes. Como quase não dói, muita gente demora a dar atenção, até notar que não consegue mais apoiar a mão aberta sobre a mesa. Esse quadro tem nome, doença de Dupuytren, e existe tratamento quando o dedo começa a atrapalhar.

O que é a doença de Dupuytren?

É um espessamento da fáscia palmar, uma camada de tecido firme que fica logo abaixo da pele da palma da mão. Essa camada engrossa e encurta aos poucos. Quando isso acontece, ela puxa os dedos para dentro e dificulta abrir a mão por completo.

A doença não está nos tendões nem nos ossos. O que prende o dedo é esse tecido da palma, que forma um cordão duro por baixo da pele. Os dedos mais atingidos são o anelar e o mínimo, e o problema pode aparecer em uma mão ou nas duas.

Quais são os primeiros sinais?

O primeiro sinal costuma ser um caroço firme na palma, perto da base dos dedos. Depois podem surgir outras mudanças:

  • pequenas covinhas ou pregas na pele da palma;
  • um cordão endurecido que vai da palma em direção ao dedo;
  • dedo que não estica por completo;
  • dificuldade para abrir a mão e afastar os dedos;
  • dificuldade para apoiar a mão espalmada numa superfície plana.

Na maioria das pessoas não há dor. O incômodo aparece nas tarefas: calçar luvas, colocar a mão no bolso, lavar o rosto, cumprimentar alguém.

A evolução é lenta e leva meses ou anos. Em algumas pessoas o quadro fica só no caroço e nunca chega a dobrar o dedo.

Por que isso acontece?

A causa exata não é conhecida. O que se sabe é que alguns fatores aparecem com mais frequência em quem tem a doença:

  • casos na família;
  • ser homem;
  • idade mais avançada;
  • origem familiar do norte da Europa;
  • diabetes;
  • epilepsia;
  • consumo de álcool e cigarro.

Ter um desses fatores não significa que você terá a doença. Também não há uma medida comprovada para evitar que ela apareça.

Todo caso precisa de tratamento?

Não. Quando há só o caroço ou o dedo ainda estica bem, o mais comum é acompanhar. O médico examina a mão de tempos em tempos e observa se o dedo está dobrando mais.

O tratamento passa a ser considerado quando o dedo dobrado começa a atrapalhar o uso da mão. Um sinal simples é não conseguir mais encostar a palma e os dedos por inteiro sobre a mesa.

Talas e alongamentos, sozinhos, não impedem a doença de avançar. Eles costumam ser usados depois de um procedimento, para ajudar a manter o dedo esticado.

Como é o tratamento?

O tratamento busca soltar ou retirar o tecido que está puxando o dedo. As opções mais usadas são:

  • Liberação com agulha. O médico usa uma agulha para romper o cordão, com anestesia local. A recuperação é mais rápida, mas a chance de o dedo voltar a dobrar é maior.
  • Cirurgia para retirar o tecido doente. É um procedimento maior, com recuperação que pode levar de algumas semanas a poucos meses. A chance de o problema voltar é menor.
  • Cirurgia com enxerto de pele. Fica para casos mais avançados ou que voltaram. Além do tecido doente, retira-se a pele da região, que é substituída por pele de outra parte do corpo.

Existe ainda a injeção de uma enzima que dissolve o cordão, usada em alguns países. O médico explica quais opções estão disponíveis e qual faz sentido para a sua mão.

Depois do procedimento é comum haver dor, inchaço e rigidez por um tempo. A fisioterapia ajuda a recuperar o movimento e a força, e o uso de uma tala pode ser indicado nessa fase.

Convém saber de duas coisas antes de decidir. O dedo pode não ficar totalmente reto depois do tratamento, principalmente quando já estava muito dobrado. E a doença pode voltar depois de alguns anos, no mesmo dedo ou em outro.

Quando procurar um ortopedista?

Procure avaliação se um ou mais dedos estão dobrando e você já não consegue apoiar a mão aberta sobre a mesa, ou se a mão está atrapalhando suas atividades. Vale marcar a consulta também quando aparece um caroço na palma e você quer saber do que se trata.

O diagnóstico é feito pela conversa e pelo exame da mão. Na maioria das vezes não é preciso nenhum exame de imagem. Um ortopedista especialista em mão mede o quanto o dedo está dobrado e combina com você se é hora de tratar ou de acompanhar.

Não é preciso correr, porque a doença anda devagar. Mas esperar o dedo dobrar muito torna o tratamento mais difícil e o resultado menos previsível.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta.

Perguntas frequentes

01A doença de Dupuytren dói?

Em geral, não. Os caroços podem ficar sensíveis no começo, mas a maioria das pessoas não sente dor. O incômodo maior é a limitação para abrir a mão.

02Dupuytren é a mesma coisa que dedo em gatilho?

Não. No [dedo em gatilho](/artigos/dedo-em-gatilho-melhora-sem-cirurgia), o tendão prende ao passar por um túnel e o dedo trava e destrava com um estalo. Na doença de Dupuytren, um cordão na palma mantém o dedo dobrado o tempo todo, sem estalo.

03A doença pode voltar depois da cirurgia?

Pode. O tratamento solta o dedo, mas não elimina a tendência de o tecido da palma voltar a engrossar. A volta é mais comum depois da liberação com agulha do que depois da cirurgia que retira o tecido.

04Massagem ou alongamento resolvem?

Não há comprovação de que massagem, alongamento ou tala impeçam o dedo de dobrar. Eles não fazem mal quando feitos sem forçar, mas não substituem a avaliação médica se o dedo já está limitado.

Revisão médica

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